mar de março

2017

le soleil d’été
ébauches
por nana yazbek

Três mulheres: duas são bailarinas.
Ladies. Ofélia e Lady Macbeth, ou o que há de cada uma dessas personagens em Ana e Gisela.
A terceira é uma ave migratória.
Inverno.
Mar, praia, areia.
Vermelho, azul, branco, tons de ocre, tons de bege.

Uma casa quase vazia.
Uma casa que é passagem, temporária, abrigo de tempos-espaços múltiplos.
A mulher ave vislumbra criar um ninho e ficar, mas não pode. Não consegue.

Outras mulheres já habitaram esta casa.
Outras mulheres já habitaram esta mulher.
Uma delas, doce, virgem, pura, apaixonada, louca e suicida. Mulher-água.
A outra, madura, vingativa, perigosa, lasciva e ambiciosa. Mulher-fogo.

Elas dançam, ocupando espaços vazios da casa, da mente da mulher-ar.
A mulher-ar não as vê, mas as pressente. Ela tenta apreendê-las escutando mais atentamente, respirando profundamente, contemplando paredes e janelas.
Ela carrega objetos para dentro da casa, buscando criar raízes e meios de comunicação com as duas outras mulheres.

A mulher-ar-ave aguarda. Ela espera, espreita.
As outras duas movem-se com vigor.
Algumas vezes juntas, outras sozinhas.